Industrialização brasileira: Plano de metas de Juscelino Kubitschek
Autor: Tiago Xavier | Categoria: IndustrializaçãoO plano de metas de JK é considerado um caso bem sucedido de formulação e implementação do planejamento estatal. Contrariamente ao projeto nacionalista de Vargas, havia uma clara aceitação a predominância do capital externo, limitando-se o capital nacional ao papel de sócio menor desse processo.
O plano de metas proposto por Juscelino Kubitschek para o período de 1956-1960 continha um conjunto de 31 metas, incluindo a construção de Brasília. A base desse plano era constituída pelo grupo misto BNDE-Cepal que foi criado em 1953. O trabalho do grupo misto seria o de fazer o levantamento exaustivo dos principais pontos de estrangulamento da economia brasileira, além de identificar áreas industriais com demanda reprimida, que não podia ser satisfeita com importações, dada a escassez estrutural de divisas na economia brasileira.
O crescimento industrial que ocorreu a partir do início do governo JK estava estruturado em um tripé formado pelas empresas estatais, pelo capital estrangeiro e, como sócio menor, pelo capital nacional. As empresas estatais participavam fortemente no setor produtor de bens intermediários. Os setores de energia, transporte, siderurgia e refino do petróleo recebiam a maior parte dos investimentos do governo. O capital privado estrangeiro dominava amplamente a produção industrial brasileira. Dominavam com folga a produção de bens de consumo duráveis e eram majoritários na produção de bens de capital. Além disso, tinham presença significativa nos setores de bens intermediários e de bens de consumo não duráveis. O objetivo do plano de metas só seria alcançado com a participação dominante do capital externo. O capital privado nacional era o sócio menor. Sua presença era mais forte no setor produtor de bens de consumo não duráveis, porém as multinacionais tinham presença significativa nesse setor, respondiam por 43% das vendas do mesmo.
O desenvolvimento industrial durante o plano de metas foi liderado pelo crescimento do departamento produtor de bens de capital e do departamento produtor de bens de consumo duráveis, ambos eram liderados pelo capital externo, daí a importância do mesmo no Brasil a partir do plano de metas.
Embora a industrialização por substituição de importações tenha aprofundado e consolidado o fechamento do país as importações, o mecanismo de reserva de mercado, que impedia importação de produtos com similar nacional, levou a uma abertura sem pré-cedentes ao capital externo. Isso é uma conclusão paradoxal sobre a economia brasileira.
Se a produção de bens de capital e de bens intermediários cresceu significativamente, não se chegou, porém, a completar a criação de um departamento I que possibilitasse a autonomia do processo de acumulação. Apesar da política extremamente liberal seguida por JK relativo ao capital estrangeiro, o “FMI” e o “Banco mundial” não aprovavam os pilares do PSI: protecionismo e controle de importações. Esse conjunto de contradições se manifestou na queda do ritmo de crescimento industrial a partir de 1962, configurando a primeira crise econômica brasileira motivada, principalmente, por causa internas.
Tags: Industrialização, Juscelino Kubitschek, Plano de Metas

30.09.2009 às 21:09
axei td otimo é o ki eu quero
08.10.2009 às 16:40
foda-se
06.04.2011 às 15:25
muito bom.
10.05.2011 às 23:37
legal
07.06.2011 às 0:41
A ERA JK foi um divisor de águas. Um país tosco, industrializou-se. A construção de Brasília rasgou o Brasil profundo. Interiorizou-se.
21.06.2011 às 11:44
legal!!!!
21.06.2011 às 11:47
muito romântico!!!
23.08.2011 às 22:29
Muito bom !
25.10.2011 às 21:33
essa merda ta tudo errado me chupa fdp
27.10.2011 às 18:54
Bom o texto, porém foltou comentar que plano de metas foi onde a inflação tomou espaço…