Industrialização brasileira: Getúlio Vargas e o desafio da indústria pesada
Autor: Tiago Xavier | Categoria: IndustrializaçãoO avanço do PSI foi constantemente bloqueado por conta dos estrangulamentos cambiais que dificultavam as importações dos bens de produção necessários. A volta de Vargas em 1950, por eleições diretas, representou uma nova tentativa de superação nacionalista dos estrangulamentos do PSI e dos entraves de um projeto nacional. Segundo Marx, a análise econômica deve ser feita com base na interação entre os departamentos da economia. Existem dois departamentos na economia. O departamento “I” é o produtor de bens de capital e de bens intermediários. Já o departamento “II” é responsável pela produção de bens de consumo. O departamento II subdivide-se na produção de bens de consumo duráveis (p/ os capitalistas) e bens de consumo não-duráveis (p/ os trabalhadores).
A tentativa de Vargas, em 1950, de implantar indústrias de base no país representava a força que o departamento I exerce sobre a economia. Historicamente, o crescimento das economias capitalistas industrializadas foi impulsionado pelo maior crescimento do departamento I.O projeto nacionalista de Vargas foi a tentativa de implantar as bases de uma indústria pesada no país. Foram criadas nessa época empresas como a Petrobrás, CSN (companhia siderúrgica nacional), Vale do rio doce, etc. Esse projeto restringia a possibilidade de financiamento externo ou a participação de capitais estrangeiros na forma de investimentos diretos, com isso às altas taxas de lucro das atividades industriais impulsionadas pela política de valorização cambial e a transferência dos excedentes do setor agro exportador para indústria financiava o projeto. A criação do BNDE, financiado por intermédio de um adicional sobre o imposto de renda, foi fundamental para o financiamento de projetos de infra-estrutura, de transporte e energia e, posteriormente, de projetos de implantação industrial.
As classes que eram à base do governo Vargas, burguesia nacional e trabalhadores industriais, ao longo do mandato foram criando divergências. O desfecho dessa crise política foi o suicídio de Vargas.Por conta do suicídio de Getúlio o vice-presidente, Café Filho, assumiu o poder entre 1954-1955. A política do novo presidente foi claramente distinta, demonstrada na figura dos dois ministros por ele nomeado: Eugênio Gudin e José Maria Whitalker.
Gudin, economista ultra liberal, podia ser considerado a antítese do governo Vargas: era inimigo das propostas desenvolvimentistas e defensor de uma política econômica ortodoxa, que tinha como prioridade políticas antiinflacionárias baseadas no controle da emissão monetária e do crédito. Sua principal ação foi a instrução 113 da SUMOC (superintendência da moeda e do crédito) em 27/01/1955 onde permitia as empresas estrangeiras instaladas no país importarem máquinas e equipamentos sem cobertura cambial. Dessa forma Gudin achava que extinguiria os obstáculos à livre entrada de capital estrangeiro. As concessões presidenciais em troca do apoio de Jânio Quadros à candidatura Udenista para a sucessão de Café Filho resultaram na queda de Gudin.
O novo ministro da fazenda, José Maria Whitalker, defrontou-se com a mais séria crise bancária, decorrente da política contracionista de Gudin. Por intermédio da ação do banco do brasil a liquidez da economia foi restabelecida. Whitalker sugeriu a unificação das taxas cambiais existentes. Se essa unificação ocorre significaria o fim da política desenvolvimentista que impulsionava o PSI.
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