13 abr 2009

Industrialização brasileira: A crise de 1930 e o avanço da industrialização brasileira

Autor: Tiago Xavier | Categoria: Industrialização

Café 

Série com três capítulos que relata a história da indústria no Brasil. 

A grande depressão, que atingiu a economia mundial na década de 1930, é considerada o marco fundamental do processo de consolidação da produção industrial brasileira. A revolução de 1930 que ocorreu no Brasil levou a perda da hegemonia política da burguesia cafeeira em favor da classe industrial ascendente.

A economia cafeeira do Brasil liderava a produção mundial do produto no fim do século XIX. Mesmo com a disseminação do produto em todo o mundo a demanda pelo café chegou ao seu limite, porém a produção de café no Brasil só aumentava. Esse aumento, periodicamente resultava em crises de superprodução que eram controladas a partir do desenvolvimento de vários mecanismos em defesa do café. O mecanismo de defesa mais utilizado era a depreciação da moeda nacional, o que levava os fazendeiros a venderem mais por um preço menor. Esse mecanismo diminuía as perdas de receita dos cafeicultores. Como o mecanismo de depreciação cambial era limitado o governo a partir do convênio de Taubaté, em 1906, passou a comprar os excedentes de produção, financiado por empréstimos externos. A política de defesa do café, para ser eficiente, deveria ter desenvolvido mecanismos que impedissem o continuo aumento da produção de café.

Mesmo com o início da grande depressão (1929-1933) a produção de café no Brasil continuava crescendo. Quando a crise mundial estourou ocorreu uma “fuga de capital”, com isso as reservas de ouro do governo reduziram-se a zero em dezembro de 1930. Os cafeicultores ainda possuíam grande peso político e mais uma vez lançaram mão do mecanismo cambial para sua defesa, porém essa medida não foi suficiente e o governo na intenção de diminuir a oferta do café resolveu queimar os excedentes que equivaliam a um terço da produção obtida entre 1931-1939.

Devido à grande depressão e aos mecanismos de defesa do café a renda nacional caiu na ordem de 25% a 30% e o índice de preços dos produtos importados subiu 33%, com isso as importações caíram em torno de 60%. A oferta interna passou a suprir parte da procura antes satisfeita pelas importações. A crise do café afugentava investimentos no setor, parte desses investimentos foi absorvida pela agricultura do algodão que cresceu bastante entre 1929-1933, porém não requisitou, no primeiro momento, importações de máquinas e equipamentos, pois utilizou a capacidade ociosa existente.

Como resultado da crise e de fortes desvalorizações cambiais, além de ocorrer diminuição das importações e aumento da produção interna, estabeleceu-se um novo nível de preços relativos, com base no qual se desenvolveram indústrias destinadas a substituir importações. Conforme aumenta a produção interna de bens de consumos anteriormente importados, aumenta também a importação de bens de capital e bens intermediários necessários para essa produção.

A partir dos anos 1930 a economia brasileira passou a ser determinada internamente, porém tratava-se de um processo de industrialização incompleto, pois os setores que desenvolviam bens de capital e bens intermediários eram pouco desenvolvidos. A esse fato é que se refere à industrialização restringida.

Em novembro de 1937 ocorreu um golpe militar liderado pelo presidente Getúlio Vargas, eleito indiretamente, em 1934, pela assembléia nacional constituinte, e cujo mandato terminou em 1938. Além de representar o fim da descentralização republicana, fruto do próprio enfraquecimento da economia cafeeira, foi uma tentativa de afirmação de um projeto nacional, no qual caberia ao estado assumir o papel de indutor do desenvolvimento industrial, quer implantando agências governamentais para a regulação das atividades econômicas, quer estabelecendo uma nova legislação trabalhista, quer ainda assumindo o papel de produtor direto, com a construção da usina siderúrgica de volta redonda, marco do desenvolvimento industrial nacional.

Logo após a segunda guerra mundial, o país se redemocratizou e Dutra foi eleito iniciando seu governo dentro dos princípios liberais de Bretton Woods e da política seguida pelo governo Truman. O governo Dutra se mostrou pouco preocupado com o desenvolvimento industrial, porém apesar da pouca preocupação algumas ações desse governo beneficiaram a indústria. Até 1949, Dutra mostrou-se essencialmente ortodoxo, por conta da preocupação com a ascensão inflacionária. Dutra tentou intervir na sociedade através do plano SALTE, porém como não foram asseguradas as fontes de financiamento para esse plano o mesmo quase não saiu do papel.

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13 comentários para “Industrialização brasileira: A crise de 1930 e o avanço da industrialização brasileira”

  1. Camila comentou:

    Nossa, me ajudou muito esse texto.

  2. maria zelia lima brito comentou:

    Muito interessante, serve como auxilio para estudo, para muito alunos e um excelente material de conhecimento.

  3. Sheila Nicolau comentou:

    Nossa, muito bom mesmo esse texto, serviu demais para o desenvolvimento do meu exercício !

  4. Camilla Wippel comentou:

    Caraca, muito bom mesmo !!

  5. maria eduarda comentou:

    otimo ameiii me ajudou bastane…

  6. Luiz Felipe comentou:

    sensacional, me ajudou bastante, muito obrigado.

  7. zuleica banana comentou:

    droga

  8. OOOOO comentou:

    LLLLLLLLLLLLLJVRT6XE67

  9. OOOOO comentou:

    NADA AVER

  10. OOOOO comentou:

    o maria edurda escreve certo burra

  11. Anonimo comentou:

    grande de mais

  12. Anonimo comentou:

    ooo textinho grande e OOOOO fica na sua e deixa ela

  13. Rozy matos comentou:

    Nossa otimo!!!!!Era o que estava pesquisando me ajudou bastante.

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